Só o que se ouve nessa época aqui na Dinamarca além de Natal é a quantidade de funcionários que as empresas estão demitindo. Nos jornais, na TV, no boca a boca. Na empresa onde eu trabalho infelizmente não foi diferente.
Há um mês foram anunciadas mudancas na estruturacão da companhia e isso geraria demissões. Mas tivemos que esperar o mês inteiro para saber. O clima ficou mais e mais pesado a cada dia, teorias de quem poderia ser despedido surgindo a toda hora, pessoas nervosas, difícil de se concentrar no trabalho.
Nesta última sexta feira fomos informados que o anúncio seria hoje, terca feira. Não foi um dos fim de semanas mais fáceis da minha vida. Estava muito triste e chateada, com receio de que fosse eu já que fui a última a ser contratada, só com 7 meses de casa. Triste porque adoro meu trabalho, adoro meus colegas, é a primeira vez que realmente sou feliz no trabalho desde que vim morar aqui, e seria realmente uma pena perder. Pra completar o quadro arranjei uma inflamacão na garganta que me deixou sem conseguir dormir.
Hoje levantei cedinho, fui pegar o trem e tinha sido cancelado. Shit! Tinha que chegar na hora hoje! Não queria chegar depois de ser anunciado no meio da confusão. Consegui chegar em tempo, e a tensão foi muito grande. Uma colega recebeu o aviso e todos nós choramos baixinho. Mas uns minutos outra colega. E depois mais um.
Não fui escolhida, claro que estou feliz e aliviada, mas muito triste que as coisas sejam feitas dessa maneira fria, muito triste de perder meus colegas.
Mas o que se há de fazer? Já dizia Freddie Mercury: Show must go on!
De encher os olhos de lágrimas
Na semana passada quando as meninas estavam com catapora, estávamos em casa assistindo um filme (provavelmente Barbie :S ) quando Malu começa a conversar comigo e diz, assim do nada (em dina): “Mamãe, tu és a melhor mãe do mundo!”
E nessa hora o coraçäo aperta, os olhos enchem de lágrima e a gente pensa que não há presente maior nessa vida do que nossos filhos!
Conclusão lógica
Li esses dias que crianças pequenas não são capazes de conclusões lógicas. Discordo!!! Na primavera estávamos dirigindo numa dessas estradas rurais e Malu olha em direção ao campo ao lado e vê que a terra foi toda remexida (com uma máquina agrícola, virando a terra) então ela exclama: “Nossa, como tem toupeiras aqui!” Catapora
No Brasil se vacina, nos EUA também, mas aqui não! Por que? Porque não é uma doença perigosa, há reações adversas na administração da vacina, pode deixar marca na pele, e sei lá mais porque.
Quando se comenta por aqui que o filho está com catapora a pessoa diz, “ah que bom, já liquida de uma vez o assunto”. Ah? Como assim? Me parece que os dinamarqueses acham que pegar catapora é uma coisa natural e que vai acontecer mais cedo ou mais tarde, melhor então que seja quando criança. Talvez essa resignação se deva ao fato de eles nunca terem tido vacina e não tenham, portanto, tido escolha. Mas pra mim que sou brasileira, que sei que uma pessoa pode passar a vida sem ter, ou, se tiver, por ter sido vacinado, será bem fraquinho.
Minha conclusão, depois de 10 dias com as meninas cobertas de bolhas, no rosto, corpo, dentro da orelha, na orelha, no couro cabeludo e até na língua, febre e muita choradeira é que se eu soubesse e tivesse a escolha eu iria ter vacinado as minhas filhas e torcer para que elas nunca pegassem. Estou errada?!?
Fome
Alicia completou 4 meses no último dia 10. Já está pesando cerca 6,4kg e medindo cerca 63cm. E assim como as medidas dela aumentaram, o apetite também aumentou! Quando não está dormindo Alícia mama a cada 2hs. E durante a noite, que ela costumava dormir até 9hs de uma só vez, agora é a cada 2 ou 3hs que ela acorda pra mamar. Haja leite e disposicão!
Acho que o que está acontecendo é o tal salto de crescimento e de apetite. Tentei então desde o dia 10 dar papinha de dia e mamadeira com um leite especial, mais grossinho, pra ela dormir melhor, mas quem disse que ela quer? A partir dos 4 meses o bebê comeca a ter controle do lábio superior e a engolir – mas alguns bebês levam mais tempo que os outros e pode ser que isso só aconteca com 6 meses. Malu quis tomar essa mamadeira quando tinha 4 meses, mas a papinha só quando tinha 6 ela comecou mesmo a comer. Alícia come umas duas colheres de papinha, mas a mamadeira, nem morrrrrta mamãe, vira a cara e comeca a chorar se eu insistir. Azar o meu que tenho que acordar a noite toda pra dar o peito...
Mas fora esse pequeno porém de muita fome da srta. Alicia, ela é uma menina super alegre que sorri o tempo todo (tem covinhas!), brinca bastante no tapete de atividades no chão, de barriga pra baixo também, agarra os brinquedos com forca e põe na boca, fica de pé, durinha, e muito mais. Um docinho J.
Comecamos também a nadar dia 18 de janeiro, e ela adora (quando toma banho em casa bate os pés e faz a maior molhaceira. Grupo de mães
Desde o dia 15 de janeiro temos, toda a quinta feira, uma reunião do grupo de mães. Esse grupo é organizado pela enfermeira (que já mencionei antes), botando em contato as mães da cidade e formando um grupo de até 6 mães com bebês de idades similares. Depois da primeira reunião com a enfermeira as mães continuam se encontrando a critério delas. No nosso grupo decidimos nos encontrar todas as 5as feiras, cada vez na casa de uma. A anfitriã serve o lanche/almoco e o papo rola solto. É muito bom por vários motivos, mas em especial é muito bom ter outras mães de bebês da mesma idade pra conversar, ajuda muito nas incertezas que se tem com relacão ao bebê, além de se fazer amizade com alguém que tenha filhos da mesma idade. Eu já tinha tido um grupo quando a Malu nasceu, e foi super importante principalmente porque eu era mãe de primeira viagem e tinha muitas dúvidas. Ganhei também uma ótima amiga, a Louise, que acaba de dar a luz há 3 semanas atrás a uma outra meninas. Agora estamos as duas de licenca e vamos aproveitar muito.
Carnaval
Para não deixar de falar um pouco da Malu, hoje tem festinha de carnaval no jardim de infância (na verdade “Fastelavn”, um pouco diferente do nosso) onde as criancas se fantasiam e se revezam pra bater com um taco num barril cheio de doces. Quem consegue quebrar o barril é coroado rei e todos comem os doces. Também se bate de porta em porta cantando uma música que diz se não ganhar doce vai fazer traquinagem.
Volto em breve com novidades. Quarta feira vou ao cinema de bebês, conto depois o que é.
 Hoje o dia amanheceu assim, branquinho. Steen levou Malu pra escolinha a pé, e teve que ir tirando um pouco da neve do caminho com o pé pra Malu poder passar. Não sei que temperatura fazia as 8hs quando eles foram, mas quando eu levantei estava muito frio (veja abaixo).
De tarde tive que sair de carro pra ir buscar a Malu e ir visitar uma amiga cuja filha também é coleguinha da Malu. Combinamos de nos encontrar lá na escolinha as 14hs e de lá ir pra casa dela. Tive então que limpar a neve do carro, o que levou uns 15 minutos, usando uma escovona (a neve era soltinha). Que trabalheira!
A neve comecou no domingo à tardinha, parou, e recomecou na terca feira a tardinha de novo. Mas foi só ontem a noite que comecou a nevar muito e cobriu tudo de branco. Não preciso dizer o quanto Malu ama a neve, ela abriu a porta hoje de manhã e disse “oh”, em total êxtase. A foto abaixo é de terca feira, neve comecando.
A previsão é de mais e mais neve nos próximos dias e grandes possibilidades de natal branquinho. Será?
 Hoje foi dia de visita da enfermeira para ver como anda a Alicia. É a quarta visita dela. Ela pesa e mede o bebê, vê como está o crânio, reflexos, simetria, se está mamando, se a mãe está conseguindo amamentar, se está com depressão pós parto, enfim, tudo que se refere ao bom desenvolvimento do bebê (e sanidade física e mental da mãe pra continuar cuidando do bebê).
Na verdade ela é mais que enfermeira, tem especializacão em cuidados com bebês e criancas, em tudo que se refere a saúde, alimentacão, crescimento, desenvolvimento motor, audicão, etc. Ela vem a primeira vez logo após o parto, e depois em determinadas datas (1 semana, 3 semanas, 2-3 meses, 4-6 meses, 8-10 meses, 1 1/2 ano, 3 1/2 anos). Se houver necessidade ela pode vir mais vezes, mas também tem open house a cada 15 dias em todas as cidades, caso as mães queiram levar seus bebês pra pesar, medir, tirar dúvidas, etc.
A enfermeira também dá conselhos sobre slings, natacão com o bebê, exercícios pra mãe, cadeira certa pra carro e bicicleta, etc. E ela também organiza o grupo de mães, que são cerca 6 mães que moram na mesma área e tiveram bebês na mesma época. Ela organiza um primeiro encontro e depois o grupo continua se quiser. Falarei oportunamente sobre isso quando eu comecar com o meu.
Bem, hoje a Alicia pesou 4,9kg e mediu 58cm (naqceu com 3,130 kg e 49cm). Está crescendo e ganhando peso, já está com as coxinhas fofinhas e cheias de dobrinhas. Tem ótimos reflexos, segura a cabeca sozinha, tenta engatinhar e fica de pezinho. Além disso sorri o tempo todo, "conversa", é super tranquila, dorme quase o dia todo - e a noite também. Acorda, mama e dorme de novo. Tudo de bom né?
Não é só o fato de ela ser mais tranquila que a Malu era - ela de fato é, mas também é nossa segunda filha, e desta vez não tem tanto aquela tensão, nervosismo, medo de que algo esteja errado, de não estar fazendo certo, sabem? Estamos curtindo um monte a nossa pimentinha. É o máximo "conversar" com ela e ver o sorrisão que ela dá imediatamente.
Que família de sorte nós somos hein?
Todo mundo me pergunta se a Malu fala ou entende português. Gente daqui da Dina ou do Brasil. A pergunta é natural, mas a resposta não é óbvia "ah, claro, a mãe é brasileira então óbvio que ela fala". É uma tarefa árdua ensinar uma língua pra um filho que está cercado de pessoas que falam outra língua.
Eu sempre falei português com a Malu, e desde já falo com a Alícia. Mas estou sozinha nesta tarefa, ou seja, sou a única pessoa que fala português com ela (com excecão, claro, das minhas amigas brasilieiras que moram aqui, mas não as vejo tão frequente, infelizmente). Desde que ela comecou a ir na creche quando tinha 11 meses ela ouve dinamarquês o dia inteiro. E quando chega em casa ouve o pai e a tv em dinamarquês. E no final de semana ouve os avós, primos e amigos em dinamarquês. E eu pareco aquele diabinho que fica sussurando atrás da orelha, sussurrando português no ouvido dela.
Sabendo disso eu decidi me armar melhor pra essa tarefa e usar de tudo aquilo que pudesse me ajudar a ensinar a nossa língua pra ela: música, filmes, livros, jogos, etc.
Procurei cds bons nas visitas ao Brasil, mas é difícil saber o que é bom quando não se mora lá, a gente fica bem por fora. "Saltimbancos" e "Arca de Nóe" eu já tinha e descobri "A palavra cantada". Mas eu sentia falta de músicas que tivessem gestos pra eu poder cantar com ela. Só conhecia aquela "fui morar numa casinha-nha-nha, infestada-da-da...". Como eu trabalha em uma creche aqui, eu aprendi dezenas de musiquinhas com gestos - as mesmas que ela aprendia na creche dela - e a minha frustracão era grande por não saber fazer o mesmo em português.
Comprei dvds do Baby Einstein, filmes tipo Pixar com áudio em português, "Sitio do picapau amarelo", dentre outros, pra ajudá-la a adquirir vocabulário. E tudo foi muito válido! Ela entendia tudo que eu falava, só que respondia em dinamarquês. Tudo bem, pelo menos ela estava me entendendo, né?
Aí fiquei sabendo dos videos "Só para baixinhos" da Xuxa. Não gostava da Xuxa, e não tinha nenhuma intencão em apresentá-la a minha princesinha. Mas aí assisti a uns exemplos no You Tube e vi que era exatamente aquilo que eu estava procurando: músicas com gestos, danca, onde se aprende verbos (acões), cores, números, emocões/sentimentos (feliz, triste, etc). E não é que os dvds são bons mesmo? Comprei os 2 primeiros, ganhei o terceiro, e a Malu foi a loucura com a Xuxa. Ela tinha menos de 2 anos quando comecou a ver, e já imitava com suas mãozinhas pequeninas tudo que a Xuxa fazia. Ela não falava muito, mas de repente comecou a falar um monte, e em português!
Há uns meses meu maninho querido, dindo da Malu, veio aqui nos visitar e trouxe mais dvds da Xuxa em suas malas. Tenho que admitir que os dvds são muito bons, especialmente pra criancas que moram fora do Brasil. mas não é só isso: o mal de assitir muita tv é que a crianca normalmente fica inerte na frente dela, sem se mexer, que nem um vegetal. Mas programas como o da Xuxa que fazem a crianca se mexer são até muito recomendados pelos especialistas.
O que eu tenho a dizer então é: Xuxa, muito obrigada por fazer esses dvds. Minha filha fala cada vez mais português porque canta junto contigo, além de se exercitar pulado, rodando, abaixando e levantando na frente da televisão.
Malu continua falando, em princípio, em dinamarquês, mesmo comigo. Mas ela usa palavras em português ao invês de em dina. Por exemplo: " Jeg vil have babyen på colo"=" quero segurar o bebê no colo". Ela canta "estou feliz, muito feliz".
Acho que estamos no caminho certo, né?
Será que fui famosa numa outra vida?
Já tive blog, multiply, orkut. Mas depois que minha filha Malu nasceu em 2006 acabei abandonando tudo. Porém sempre ficava aquela vontade de ter um espaco pra dividir um pouco as minhas alegrias, tristezas, achados, perdidos, medos e anseios. Também queria poder dividir as minhas fotos de uma maneira mais eficiente do que ficar mandando email com links pra 200 mil pessoas cada vez que finalmente coloco umas fotos no álbum.
Um belo dia visitei o site da minha querida amiga Grácia, que de advogada virou funcionária pública e de funcionária pública virou fotógrafa. Fui ver as fotos dela e gostei tanto do site que fiquei com vontade de ter o meu também.
Só que entre a vontade de ter e o realmente fazer levou vários meses. Isso porque não sou uma designer de forma nenhuma, mas gosto de ver tudo bonitinho, bem feitinho. Também porque estou esperando o nascer de uma coisinha maravilhosa que vem crescendo dentro de mim nas últimas 38 semanas, e por causa disso não tive muita disposicão pra sentar ao computador e trabalhar na página.
Mas hoje finalmente ela saiu do armário e tomou forma. Não quer dizer que está pronta, mas está básica. O resto vou adicionando com o tempo e com a vontade.
Por enquanto o site dessa mamãe tem três divisões: blog em português (também tenho vontade escrever em dinamarquês, pro povo daqui, mas vamos com um projeto de casa vez), as fotos (protegidas por senha) e a lista de desejos, que é em dinamarquês, porque é feita pra família e amigos daqui. Eventualmente pode ter algo em português, nesse caso direcionado ao vovô e dindo lá do outro lado do Atlântico.
Espero que os amigos e família aparecem aqui pra ver como vão as coisas, mas não esperem muito de mim, porque a qualquer minuto a Alicia pode chegar e aí vai sobrar bem menos tempo pra mim. Acompanhem também no Facebook e no Twitter o que ando fazendo.
E seja muito bem vindo!
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